Antes de mais nada acho muito relevante falar que PUTA QUE PARIU QUANTA FALTA A MPB FAZ PRA ESSA SÉRIE COMO UM TODO
ter acostumado com a música moderna de Lupin me fez ter um choque com quão sem sal é a música desse início, chega a ser engraçado pensar que falta brasilidade num anime que nunca associei a nossa terra.

A música de abertura é claramente um produto de seu tempo e parece, para mim que não possuo um profundo conhecimento de animações daquela época, estar tentando emular algo que esperaria ver nos estados unidos.
Depois quero procurar mais sobre essa primeira abertura, principalmente as inspirações gráficas, a única que chuto ter entendido é a referência a 007 com os holofotes emulando o clássico barril de arma.
O episódio em si é uma clássica história de corrida, com direito a citação de Jack Stewart e Denny Hulme.
Enquanto Lupin e Jigen estão focados na corrida, Fujiko invade sozinha um hotel.

Eu to tão acostumado com uma Fujiko que só cai em armadilhas pra deixar o Lupin fazer o trabalho pesado que é meio estranho ver ela já logo no inicio do episodio fazer o papel de donzela indefesa a ponto de nem, ao menos, conseguir enviar a mensagem que queria passar ao Jigen,
eu já tinha ouvido falar que ela ganha mais agência a partir do Miyazaki e
do Takahata, mas ainda assim é estranho vê-la desse modo.
O Lupin numa Ferrari enquanto o Jigen fuma um Marlboro me faz ficar com ainda mais falta do toque brasileiro na música.
Também não consigo deixar de rir pensando num carro de Fórmula 1 sendo ligado com chave, não faço a menor ideia se algum dia já foi assim, mas o conceito por si só parece uma piada.

É ligeiramente cômico ver o Jigen preocupado com a Fujiko, uma vez que o normal é vê-lo completamente indiferente ou ativamente tentando afastar ela do Lupin,
também estranho é ver o Lupin não preocupado em resgatar a Fujiko e simplesmente se mantendo numa armadilha que ativamente a coloca em risco.
Atualmente existe toda uma lore por trás dos carros dirigidos por cada personagem e como isso é feito para representar suas personalidade
mas ver o Zenigata a 100 por hora é bem mais maneiro apesar dele quebrar completamente o clima com sua narração hard boiled.
A sutileza de rasgar a roupa da Fujiko e cortar pra uma mangueira jorrando é uma das decisões já tomadas
diria ate que é uma decisão tão boa como deixar ela presa durante o episodio inteiro(e sem esquecer a decisão da tortura de cocegas que claramente é o fetiche muito mal escondido do diretor).
Mostrar os relógios sincronizados é um toque que eu gosto muito,
esses detalhes mais mundanos sobre como os assaltos são feitos acabam sumindo quando a trupe simplesmente são seres quase que sobrenaturais que apenas conseguem ser os melhores sem algum tipo de explicação.

O fato do número mais baixo de pessoas que o Lupin matou pessoalmente nesse episódio que eu consigo chutar ser 20 diz muito sobre o que esse início da parte 1 estava tentando fazer.
No geral, é um episódio que eu não chamaria de memorável mas que também não é um começo ruim para a série.
PS.: A Fujiko já trair o Lupin nesse primeiro episodio é dos meus toques favoritos dele